- Eu entendi as sequências, Pê. Vi um tutorial no PokerStars.
- Vamos jogar, então. Você vai entender melhor praticando.
- Mas não entendi direito como faz pra apostar! Eu sei o que é “all-in” e sei que vou perder pra você.
Ele controlou o impulso de sorrir, fez sua melhor poker face e disse:
- A regra número 1 é você não mostrar pro adversário que está com medo. Mesmo que esteja com muito! Entendeu?
Ela entrou no clima e mandou uma poker face – melhor que a dele:
- Dá pra gente ir pras regras de apostas? Não gosto de ficar impaciente!
- Mas o pôquer pede paciência. – Roubou um beijo da namorada antes de sentarem no tapete da sala da casa dele pra começarem a aula de pôquer.
- As apostas são assim: Pra cada rodada de cartas, uma rodada de apostas. Você vê o jogo e pode apostar quanto quiser. A gente não costuma apostar muito na primeira. Agora, por exemplo.... Vejamos o que eu vou apostar... Um bis e um Sonho de Valsa! E você? – falou como se estivesse apostando 100 dólares.
- Hummm... Eu pago. Posso aumentar?
- Já? Bom, pode. Eu prefiro aumentar só na segunda, mas você pode sim.
- Então eu pago a sua aposta e aumento um Twix.
- Eu pago.
Os prêmios entre os dois, no meio da sala, fizeram o pai dele - que observava a cena de longe – rir da solenidade com que apostavam chocolates.
- Segunda rodada. A gente pode trocar as cartas e apostar mais.
- Hummmm... E se eu não quiser pagar a sua aposta?
- Então você perde o jogo e fica sem Sonho de Valsa e sem saber se eu estou blefando ou não.
- Certo. Eu que aposto primeiro?
- Pode ser.
- Aposto um Toblerone.
- Pago. Aumento um Talento e um Suflair Duo.
- Pago... E agora?
- Terceira rodada.
Trocam as últimas cartas.
“Oi, Dama de Copas!”, pensa ela.
“Booooa, Reizão de Espada!”, pensa ele.
Os dois se encaram por 1 minuto, deixando no ar algo que não era bem pôquer.
Ela dá um sorriso sacana, quase angelical, e diz:
- Acabou o chocolate, Pê.
- Hummm... E a gente ainda tem uma rodada.
- Só pra eu ter certeza. “All in” é quando a gente aposta tudo o que tem, não é?
- Sim, senhora. Como a gente tem quantidade igual de chocolate, quem ganhar fica com tudo, quem perder fica com vontade.
- Ah, Pedro... – um tom fingido de decepção, que sempre divertia o namorado – esperava um pouquinho mais da sua mente... digamos... criativa!
- Hummm... Você também é criativa. E é você que aposta primeiro. – os olhos brilhando de curiosidade. Seu pai, praticamente invisível agora, encantado.
- All in, então?
- O que é o seu “all”?
Sorriu, como que procurando algo nos olhos dele.
- Aposto você! – Nesse instante, o pai dele sai da sala, ciente de que não importava quem ganharia o jogo.
- Como assim “eu”? Eu sou seu adversário, mulher, você não pode me apostar!
- Eu posso apostar o que eu quiser! Aposto você. Se eu ganhar, você é meu por 24 horas e eu posso pedir qualquer coisa.
- Não sei se eu poderia apostar você.
- É all in, Pê. Se você ganhar-
- Se eu ganhar, você que é minha por 24 horas e eu posso pedir qualquer coisa?
- Você entendeu! All in então? Mostra o que você tem.
- Tá, all in! Mas pode mostrar você. Ladies first, beautiful.
- Quem tem sorte no jogo, tem azar no amor- Colocou carta por carta sobre o tapete. Dez, Valete, Dama, Rei. De Copas. - No seu caso, está sem sorte no jogo. Mas não fica triste, Pê! Significa que- - Não conta vantagem! Falta uma carta ainda pro seu flush. Se você-
- Ah! – levantou um dedo pedindo silêncio. - Acabaram as apostas!
E colocou a carta que faltava, fechando a sequência. Nove.
- Straight Flush, baby! Um pouquinho de sorte de principiante e você só pra mim! Adoro pôquer, já falei?
- Tentador seu prêmio... Mas sabe... – imitou o gesto dela, colocando o Dez, Valete, Dama, Rei. De Espada. – ...eu não sou principiante.
E colocou a carta que faltava, fechando a sequência. Ás.
- Seu jogo está lindo demais, mas eu tenho-
- Royal Straight Flush! - ficou histérica. - Você trapaceou, é impossível dois flushs desse jeito no mesmo jogo!
- Não é impossível. Será que significa que os dois estão com azar no amor? – Disse, fingindo-se escandalizado, arregalando os olhos.
- Não fala besteira, Pê.- ignorando completamente o resultado do jogo.
Levanta, dá 3 passos na direção dele e senta ao seu lado. Beija-o de um jeito travesso e fala em seu ouvido:
- Parabéns! Você tem 24 horas de prêmio. O que vai ser?
- Hummm... sacanagem, lógico!
- Mostra.
- Deita lá na minha cama, então.
Ela ficou animada. Depois impaciente. Depois confusa! Até que ele ligou o DVD.
- Quero ver Cassino Royale de novo!
Incrédula. Fez cara de tédio. Depois brava.
Ele riu muito.
- Não tem sacanagem maior que te fazer assistir James Bond! Adoro quando você perde pra mim, já falei?
- Encaro até um strip-pôquer pra não ter que ver esse filme idiota, Pê!
- E perder 24 horas da sua carinha de brava? No way! Tão linda... Por que você não aproveita o filme pra aprender a blefar?
Começam os acordes inconfundíveis do tema do 007.
- Você me paga, Pedro!
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Royal Straight Love (conto)
Postado por
Monique Buzatto
às
9:39 PM
Marcadores:
pôquer James Bond namorados
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Ah merda. Agora o comentário não vai sair autêntico, repetir tudo que falei :(
ResponderExcluirEntão, vamos lá...
Adorei o desfecho da estória (ou seria história?)me desliguei do mundo real e me perdi em cada frase. Excelente, me prendeu do início ao fim.
Ps.: Antes de ontem eu tava lendo sobre regras de pôquer. É sério. Coincidência.
Beijo.
Incrivel como eu gosto de ler os seus contos e me coloco na história, sei lá, talvez por sentir falta de momentos assim, enfim...
ResponderExcluirE não sei, as vezes sinto uma ligação no q vc escreve e algumas conversas q temos as vezes... rs
Escreve mais!!! To esperando o próximo!!! =P
Bjussss
Li que os escritores bons tentam fazer o leitor acreditar que a história escrita é a dele próprio...
ResponderExcluirEstou tentando, que bom que deu certo com você ;)
E o próximo está no forno, wait wait!
Beijos, e obrigada!
nossa... um straight flush
ResponderExcluirPORRAAA!!!
UM ROYAL!!!
PARTIDA DE POKER ES-PE-TA-CU-LAR!
ResponderExcluirPo.. mas o pedro devia ter perdido. Olha a coisa que o cara escolhe!! perdeu 2 das 24 hrs assistindo cassino royale....tsc tsc tsc..
ResponderExcluirele devia chamar ela pro quarto, deita-la na cama, pega uma coberta aconchegante e macia, que não influenciasse a rinite dela..... e MANDADO UM WINNING ELEVEN MEEEUUUU!!!!!
han??
o final e.. surpreedente em :O
ResponderExcluirto passado XD
hahahahahaha ri muito..ficou muuito bom *-*
ResponderExcluirAdorei a idéia de apostar chocolate -- muito melhor do que as fichas duras, feias e cruéis dos cassinos. O único perigo é você, distraído, comer o cacife inteiro e sair pobre da mesa!
ResponderExcluirSonho de valsa, bis, diamante negro, sensação, alpino, esses eu comeria todos.
ResponderExcluirBom ritmo no conto, bons diálogos ... e a visão embaçada de pôquer típica das mulheres, que precisam entender que é um jogo de homem ...
Fabio
Sacanagem MESMO esse final heim!!!! Adorei a história!!!! Só não apostaria chocolates... rs
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